terça-feira, 13 de junho de 2017

4 anos e meio.
depois deixou-me.
já passou mais de 1 ano e não consigo esquecer.
tão difícil sarar do choque.
quando descobri que a minha vida era uma ilusão.

entrei de mansinho, sem saber para onde ia.
fui descobrindo dentro de mim o que não conhecia, voltei a viver.
acreditei que podia amar.
primeiro gostei, depois amei.
e fui amado.
a vida foi mudando.
passei a acreditar que era para sempre.
com tudo incluído.
quis, quisemos lutar por isso.
ela era o melhor que eu consegui acontecer-me.

a vida continuou a mudar.
ela quis voltar.
voltou.
eu fui atrás dela.
tentámos salvar-nos.

ela desistiu primeiro.
eu acreditei até ao fim.
mentiu-se, mentiu-me, não sei por onde se começa quando se começa.
nem sei quando começou.
nunca saberei?

sei que ainda vivo com este fantasma.
desprezo profundamente a mentira como modo de vida, sejam quais forem as razões.
mas tenho na boca o gosto dos dias felizes.
e uma saudade insuportável do que nunca será.

quinta-feira, 18 de julho de 2013


Continuamos com instrumentos demasiado fracos para fazer frente à revolução neoliberal. A frente sindical foi em grande medida anulada pela desregulação laboral. A frente política radical está dividida, incapaz de superar os jogos de capelinha (uma mente mais realista diria que a falta de ambição de poder generalizada impede a criação do cimento). A frente política compromissória perdeu-se no desnorte estratégico, capturada pelo inimigo. A maioria da frente intelectual vendeu-se por um prato de lentilhas e a que resta perdeu espaço de manobra. A frente da indignação dura uma semana nos jornais e 15 dias depois já ninguém sabe o que isso era, sobretudo os próprios. Uma sociedade exangue, esgotada, incapaz de gerar iniciativa.

Perante isto, os organizadores da distopia neoliberal aplicam a terapia de choque metodicamente, alimentando-se do desastre que semeiam. É esse alimento que os mantém vivos, como abutres. Depois de se alimentarem saem da gaiola, vão ter com os donos e regurgitam em encontros fétidos cá e lá, com escurinhos e clarinhos. Mas quem está dentro da gaiola não os vê.

Há fogachos. A escola revoltou-se, causou-lhes um abcesso. Não chega.

...

Aquele que está vivo não diga nunca, nunca.

Sei que assim é e nunca o esquecerei.

terça-feira, 9 de abril de 2013

recordei hoje que quando o meu pai saiu para moçambique eu tive pesadelos durante alguns meses.
quando fui eu para moçambique, deixei de os ter mas passei a roer as unhas, dos pés e das mãos.
depois regressei, nunca mais roí as unhas, mas fui sonâmbulo durante alguns meses.
não me lembro de ter acordado.

quarta-feira, 20 de março de 2013

amanhã vou viver metade do dia com um girassol à frente, ai vou vou

a busca do equilíbrio mental é uma atitude conservadora em tempos de revolução liberal
há que impedir que o medo tome conta da consciência e destrua a crença na possibilidade do bem-estar
mas como fazê-lo sem cair na tentação alienante?
cada dia é uma prova de que o individualismo é uma violência aniquilante para o indivíduo
é preciso acreditar no nós contra eles, agora mais que nunca

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

To my wife Anne, without whose silence
this book would never have been written

P. K. Dick The Man in the High Castle

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

a presença da i. fez-me muito bem. faz muito bem aquecer o corpo noutro corpo. consegui apaziguar o resto. agora vou passear. irei? deverei?