quinta-feira, 18 de julho de 2013


Continuamos com instrumentos demasiado fracos para fazer frente à revolução neoliberal. A frente sindical foi em grande medida anulada pela desregulação laboral. A frente política radical está dividida, incapaz de superar os jogos de capelinha (uma mente mais realista diria que a falta de ambição de poder generalizada impede a criação do cimento). A frente política compromissória perdeu-se no desnorte estratégico, capturada pelo inimigo. A maioria da frente intelectual vendeu-se por um prato de lentilhas e a que resta perdeu espaço de manobra. A frente da indignação dura uma semana nos jornais e 15 dias depois já ninguém sabe o que isso era, sobretudo os próprios. Uma sociedade exangue, esgotada, incapaz de gerar iniciativa.

Perante isto, os organizadores da distopia neoliberal aplicam a terapia de choque metodicamente, alimentando-se do desastre que semeiam. É esse alimento que os mantém vivos, como abutres. Depois de se alimentarem saem da gaiola, vão ter com os donos e regurgitam em encontros fétidos cá e lá, com escurinhos e clarinhos. Mas quem está dentro da gaiola não os vê.

Há fogachos. A escola revoltou-se, causou-lhes um abcesso. Não chega.

...

Aquele que está vivo não diga nunca, nunca.

Sei que assim é e nunca o esquecerei.

1 comentário:

Alexandre Mó disse...

Um ano é muito tempo sem escrever nada aqui, não?
;-)