terça-feira, 1 de janeiro de 2008

para quê correr se estou convencido que nunca vou cortar a meta? o natal passei-o em angústia permanente pelo medo de voltar "àquilo". a congeminar saídas para a crise. fugas. se não retiro dali nenhum prazer, para quê insistir? já tenho bastante clara a não-culposidade de uma desistência. se for assim, será porque tinha que ser assim. estou tão farto de me achar uma merda a cada passo que dou...

e depois há o não sair do armário. já falei disso com quantos amigos? 6, dos mais próximos. mais alguns dos mais afastados. mas não chega. a família não discute o assunto embora isso nem me pareça o mais importante. porquê esta necessidade? porque preciso de mudar de vida. porque assim não faz sentido. porque há uma sensibilidade que não se exprime. porque passo os dias auto-censurado. porque isso também me faz não gostar de mim. porque não conheço ninguém, ninguém, nas minhas relações mais próximas, que goste de gajos. ou que, pelo menos, o viva. e a continuar assim não vejo como ultrapassar este isolamento. sempre me senti sozinho e ultimamente até lidava bem com a situação. mas a pressão do curso veio alterar os dados do problema.

não entro em nenhum estereotipo do homossexual ou do bissexual ou sei lá o quê. sou um heterossexual escarrado. não tenho demonstrações físicas do que se pensa hegemonicamente dever parecer o homossexual. não me preocupo por aí além com o aspecto físico. tenho voz grossa. gosto de jogar à bola. ando quase sempre de barba por fazer. visto-me razoavelmente mal. 99,9% dos inquiridos numa qualquer sondagem virtual dir-me-iam hetero. sempre fui oficial e oficiosamente o que todos são até prova em contrário: hetero. parece que estou preso dentro de mim numa teia de aranha.

e estas coisas todas misturam-se na minha cabeça até deixar de ver o sentido e a direcção da vida que levo. a desgostar-me, aos poucos.