quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

recorrentemente volta esta sensação estranha

de quando o corpo volta a estar em sintonia com o verde e a vida à volta, quer também ele renascer para qualquer coisa mas não sabe o quê. é qualquer coisa que tem a ver com lugares. com este lugar. mas também com outros. pode ser a brisa morna na cara, um cheiro, um estilhaço do sol numa onda ocasional, o crepitar da espuma na areia enquanto a vaga recua, um miúdo que bate uma bola de ténis para o outro lado da rede. pode ser muitas coisas. pode ser só o estar sozinho. ou só. pode ser uma agulha verde de pinheiro, pode ser um concerto para resina, melro e margarida. pode ser uma viagem imóvel até ao rapaz que já fui. deitar e olhar para o azul lá em cima. cheirar a terra. ou descobrir um formigueiro e um bicho de conta e um caracol a babar uma casca de árvore. pode ser o esquecer por um momento que amanhã vai acontecer.

esquecer que isto não pára.