terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

viagem a évora. gostei. gostei de ser muito bem recebido.

às vezes arrependo-me de dizer certas coisas. digo-as e penso que tenho de corrigir a inclinação mental que me levou a dizê-las. foi isso que fiz pelo menos duas vezes durante este carnaval. mas acabei por dizer coisas que soavam demasiado agressivas, deslocadas, como se andasse zangado com o mundo. e longe disso andava eu. o cansaço físico e mental atira-me para estes abismos. e depois acabo por ser para os outros o que não sou.

no domingo a primeira situação de possível enrolanço com uma miúda que não aconteceu por esquiva minha, muito voluntária da minha parte. quando a antena começou a receber dali as ondas magnéticas fiz-me desentendido. e depois afastei-me, pura e simplesmente, sem deixar de curtir a noite e a música. e com a sensação de que não perdi nada. é verdade que também não ganhei nada, tão convencional era o ambiente. ganhei uma noção mais clara de ter feito a coisa certa. não tinha ali qualquer interesse.

e depois a recorrência da dificuldade em falar do gostar de homens como uma coisa que devia ser tão normal como tudo o resto. dos seis amigos mais chegados que lá estavam, só dois é que sabem. o r., de quem sou amigo há mais tempo (uns 9 anos??), não sabe. vou ter que lhe dizer, mais cedo ou mais tarde. mas tudo gente com vistas largas, mundo visto, mentes desempoeiradas, politicamente pró-causa. só que na normalidade da vida, das conversas, da visão do mundo que exprimem automaticamente, o padrão hetero-normativo é o que está sempre presente. e às vezes mesmo o padrão homofóbico. e isso às vezes deixa-me lixado. um gajo não pode gostar de futebol, vinho, tascas, ter um comportamento completamente de acordo com o da convenção masculina e depois gostar de homens? é complicado quebrar a barreira das ideias feitas...é que sendo como sou ninguém diria que sou o que sou.

e vou passar o resto da vida a anunciar ao vento que aqui está um gajo que gosta de outros gajos? e que eventualmente também gosta de gajas, embora nada disso esteja muito claro na sua cabeça? e depois o que acontece? passo a ser "o amigo gay"? também não estou para isso. não quero ser "o tal que é gay". foda-se para isto.