quarta-feira, 26 de novembro de 2008

dou por mim sem saber para onde vou. nunca consigo seguir uma linha. leio coisas sem pensar na razão que me leva a lê-las. leio coisas sem que consiga individuar uma ideia, um tema, uma continuidade. leio uma coisa do balzac e já nem consigo fazer como com o maupassant, ler os outros. leio um balzac e podia restringir-me a alguma coisa, à sociedade do século XIX, ao romance francês da época, às figuras literárias, sei lá qualquer coisa. mas não. passo do balzac para a história da arte do gombrich, que deixo a meio para começar a economia moral da multidão para passar ao comunismo e nacionalismo do neves, para recuperar o desejo de ser inútil e acabar em quê? em nada, uma grande salada de coisa nenhuma, impossível de espremer em algo que satisfaça, que preencha. a leitura fragmentada traduz uma atenção que não consegue fixar-se em nada, que não consegue produzir uma síntese, que não quer projetar-se em criação, que não sabe assumir a vontade de ser mais.

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