sábado, 12 de maio de 2012
na 5ª feira à tarde passo algumas horas no trabalho a ouvir o bernardo sassetti tocar com o laginha. gosto dele há muito tempo e tenho pena de não o ouvir mais.
na 5ª à tarde depois do trabalho ouço uma entrevista ao sassetti na radar. a entrevistadora descreve-o como aquele gajo que anda sempre com a garrafa de água e o saco de plástico. ele ri, pede para agitar a garrafa para que todos ouçamos o som muito concreto que o maravilha. e ouvimos, e ouvi aquela luminosidade toda. sei, intuo, que é uma pessoa boa.
À mesma hora, o corpo dele é resgatado de entre o meio das pedras da falésia, atrás da praia do abano. o bernardo já morreu mas eu não ainda não sei. ninguém sabe.
hoje, sábado, passeio com as pernas na água da praia do guincho, vou andando até ao abano. ao chegar à falésia vejo os sinais espetados na areia a avisar "perigo!" em várias línguas. volto para trás, sinto a brisa na cara, a água invulgarmente tépida, um dia no paraíso. eu ainda não sei.
chego agora a casa e trespassa-me o peito esta coisa absurda. dois dias antes, ali onde hoje estive, só prazer e ignorância, foi ali que o bernardo se foi.
a vida às vezes é uma grande merda.
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