terça-feira, 20 de novembro de 2007

Para se ver a dimensão do escapismo como estratégia inconsciente e desorganizada de vida.
Por volta das 10:30 o telemóvel irrompe pela sala de aula. Dou-lhe uma marretada a ver se fica quieto. Mas quem foi @ desgraçad@ que me ligou a esta hora? 1 minuto depois mudo-lhe o humor para o silêncio.
Volta a tocar 5 minutos depois. De repente a coisa salta-me à memória - deve ser da livraria! Desculpo-me e atendo. É da livraria. Perguntam-me se ainda mantenho a disponibilidade e o interesse por. Balbucio que sim. Se posso ir a uma entrevista hoje? Não. Só depois das 6 da tarde. Então terá que ser depois. E ainda pode trabalhar em full-time ou em part-time no período do natal? Pois, só no período de natal. Então volto a ligar-lhe amanhã.
Aqui já estava em delírio. Deitar esta merda toda para trás das costas, stress, tactear no escuro, endividamento, não saber se algum dia virei a ser intérprete, não saber se me apetece ser intérprete, saber que não me apetece nada ir para Bruxelas fazer pela vida, se é que essa é questão para algum dia. Afinal o que quero eu?
Casa, cama e roupa lavada, cineminha aqui e concerto ali, tinto e tasca, copo de uisque para desenjoar, um livrito para oxigenar o cérebro, pouca coisa. Tudo muito digno e pobrezinho, muito salazaristazinho. Sem confusões. Isto é o que eu quero. E ficar em Lisboa. Linda Lisboa. Com os meus amigos, com os velhotes sempre mais velhotes. Mas são eles os meus velhotes, depois destes não haverá outros.
Vender livros era o ideal para deixar de me chatear. Não chega para o tabaco? Não fumo. Chega para o resto. E eu até gosto de vender livros.
Mas enfim, vamos lá resistindo até ver. Afinal, faltam pouco mais de 6 meses até Junho.
Um dia ainda deixo de pensar no futuro.

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