estive com o B., o R., o T. e o F. e sinto-me em permanente off-topic. as conversas à la macho man chunga, com o sexo sempre presente mas sempre velado, como se fosse preciso para reafirmar a virilidade suposta. fazer prova da virilidade, do interesse insaciável por gajas, aproveitar todas as oportunidades para voltar ao assunto, demonstrá-lo sempre que possível. mas então o que me perturba nisto tudo?
desde logo, a permanente objectificação da mulher pelo macho mete-me cada vez mais nojo. porque ainda por cima eu sei que toda aquela verborreia não tem qualquer correspondência nos actos. Os mais "machos" predadores, o B. e o R., têm relações ultra-estáveis há mais de 7 anos. e quando se apanham sem a companhia das senhoras, aderem ao abjeccionismo machista mais idiota nas palavras mas não engatam nem tentam engatar ninguém apesar de eu admitir que querem. mas a monogamia conservadora em que vivem não lhes dá liberdade para isso. eles não se conseguem dar essa liberdade.
depois, o não ter espaço para manifestar a minha vontade de falar de gajos. quando o ambiente é tão militantemente hetero-abjeccionista, como falar de gajos? eu precisava de outra coisa agora.
ontem também encontrei o P. e um gajo que estava com ele na sex-shop. conversa puxa conversa, o outro gajo, completamente gay-maluca, insiste em saber o meu nome já à despedida e diz-me que gosta muito do meu nome e do meu cabelo, que gosta muito de cabelos aos caracóis. agradeci e pirei-me, porque não encontrei elogio para retribuir. mas a rir por dentro. e vivo.
hoje vejo dois gajos a subir as escadas no palácio da ajuda com mais uma miúda. claro que são gays. fico num canto à espera. percebo que um deles me procura com o olhar, no meio da multidão. espero uns momentos e olho. ele olha também e fixamo-nos durante 4 ou 5 segundos à medida que eu vou esboçando um sorriso. por fim ele desvia o olhar. e eu vou-me embora a rir por dentro. e vivo.
