hoje acordei na praça da figueira. fui acordando com os passos nas salas ao lado, o barulho do bulício lá em baixo (ena pá, bela aliteração), com uma dor de cabeça um bocado filha da puta, com sede e fome. mas ainda com o gosto do drambuie na boca. vou à janela e lá está a cidade, cinzenta, chuvosa, pulsante.
ontem cheguei à praça da figueira de táxi. no táxi vim com o M. e com uma gaja francesa, conhecimento de ocasião numa paragem de autocarro para dividir ................... (palavra portuguesa para custo da viagem de táxi). gaja que, fiquei a saber, foi adolescente em argenteuil, andou no lycée georges braque, estudou português com Mme Grellier. Now, what are the odds of something like this happening?
e foi pouco antes da paragem de autocarro que saímos da festa que não foi porque correram com o pessoal às duas da manhã. e foi cá em baixo que se (re)encontraram os amigos e conhecidos e outros idos e lá estava o M.
praça da figueira, subimos ao 5º andar. a R. e namorado conversavam na cozinha. ficamos por ali em blá-blá animado. o M. ofereceu drambuie. e eu a cada gole daquela merda ia ficando sempre mais bêbedo. e sempre com mais vontade de olhar, tocar, abraçar, apertar e outras coisas acabadas em ar e er aquele gajo. pura pulsão sexual. claro que não fiz nada disso. mas queria mesmo.
há muito que não queria alguém de forma tão evidente. e sem culpa. sem culpa. sou assim, sinto assim. gosto de ser assim e de sentir assim. sinto que passo aos poucos da bruma para a claridade. já via a massa bruta, a forma informe do que sou, a coisa em forma de assim. agora começo a ver-me os contornos, detalhes e cores. e a gostar de ver e do que vejo.
