domingo, 23 de março de 2008

e afinal por que raio é tudo tão aparentemente simples e na verdade tão difícil? afinal onde está a dificuldade? por que é que ninguém fala disto com normalidade? por que é que eu não consigo falar disto com normalidade? por que é que ainda continuo a aturar bocas e a calar quando a vontade é dizer tudo o que sinto e nem sei se sinto? por que é que sou tão cobarde? tenho medo de quê? tenho medo de sentir. tenho medo de sofrer. tenho medo de me descobrir. como tenho medo de assumir compromissos. e de crescer.

e depois pensar nas coisas que acontecem. estava na livraria minding my own business. entram na sala uns gajos com bom aspecto. alguma coisa me dizia que tinham bom aspecto. alguma coisa me dizia que. um movimento de braço. uma forma de assentar o peso numa só perna. um olhar que se cruza meio segundo e cai como uma bomba no estômago. o serem dois, três, quatro etc juntos numa livraria. alguma coisa. uns dias mais tarde, na ronda de blogues, encontro uma entrada em que um gajo conta como tinha ido com o namorado e um grupo de dois, três, quatro etc gajos com bom aspecto à livraria nesse dia, depois do almoço. pois é, aqueles gajos tinham mesmo alguma coisa especial. e estas coisas que me acontecem devem ser aquilo a que chamam gaydar.