a insónia só vem quando não devia.
a calcorrear a revista do espesso lembro-me do que já pensei muitas vezes. lembro-me também das leituras de genéricos da gestão empresarial que tive que fazer há uns tempos. é que esta gente de direita, muito burguesinha, muito avenida de roma via quinta da marinha, empenha-se mesmo em criar, recriar e reproduzir uma visão do mundo muito própria. um mundo marcado pela gente de sucesso, pela competitividade, pelas lideranças, pelas superações individuais, pela encenação da felicidade endinheirada. gente como nós devíamos ser se fossemos melhores do que somos. mas atenção: os pobrezinhos e deserdados também lá andam, normalmente associados a projectos de solidariedade dos primeiros. ou então não, limitam-se a aparecer como ilustração da degradação humana para satisfazer instintos voyeuristas. só não se percebe de onde vêm uns e outros. como é que se criam, recriam e reproduzem uns, outros e uns aos outros. há sempre um défice (cá está a linguagem "deles" a parasitar) de explicação. esta gente da direita da comunicação que manda em quase tudo o que se lê evacuou o melhor jornalismo para o vácuo e o melhor das ciências sociais para o limbo universitário. não abrem portas a nada que possa quebrar as telenovelas dos portugueses de sucesso, as historietas dos cérebros muito apreciados lá fora, as mediocridades das modas-lisboa, as polémicas estéreis entre cronistas da classe a falar para a classe e para os que um dia sonham aceder à classe, as reportagens encomendadas pela indústria do vinho, do disco, do filme, da imagem juvenil que é preciso vender. velhos não há. quando muito encontram-se uns idosos aqui e ali. criaram essa utopia para nos convencerem que somos eternos.
insónia, que só vens quando não és precisa! e amanhã quem é que se levanta às 7:30? Não me parece.
