não é possível, nunca serei capaz de fazer aquilo. não sou eu. "estava à espera de mais, nesta altura" disse a gaja. pois estava. eu se calhar também. mas se calhar não. onde é que começa e termina a fraude?
o psi desenhou a imagem: se anular o que não gosta deixa de saber o que gosta. é um bocado isso. evitar o conflito, evitar assumir posições marcadas, evitar reconhecer-me a atracção por gajos, evitar tudo e mais alguma coisa. não levar nada a sério, eu incluído. ter a noção que perco o controlo das coisas, sempre. fazer uma vida de zigue-zagues sem compromisso com nada, dentro e fora.
tive algum controlo em edimburgo. senti isso. tinha a minha rede social, em expansão. tinha as minhas libras e não devia nada a ninguém. tinha um objectivo preciso, estudar para o exame. já estava desinquietado pela pulsão. mas controlava. arranjei os meus empregos e assumi-os como experiências. estive fisicamente cansado mas mentalmente bem.
Em paris, desta vez, menos.
agora meti-me neste buraco. quando dei por ela já me tinha atirado de moto próprio para aqui. dependo dos outros para tudo. e sinto-me de novo uma fraude. quero viver, porra. sempre o futuro, sempre a merda do futuro,...e eu? quero ser feliz, porra. quero ser feliz agora. o cansaço faz-me mal, mas ainda me faz pior tudo o que me faz cansado.
confusão...
às vezes sinto que quanto mais vivo, melhor devia saber lidar com tudo isto. e é verdade. às vezes.
