engraçado ler blogues anónimos ou identificados e verificar as diferentes reacções às comemorações do orgulho - marcha e arraial. engraçado como tantos e tantas referem o medo de se exporem, o receio de se identificarem ou deixarem identificar com a realidade paneleira. até aqui tudo bem, ou quase. mas, embalados como vão no medo dos outros e no medo que têm do que são, tantos e tantas acabam por recusar associar-se ao que designam como bichices, carnavais, plumas, espectáculo degradante, blá, blá, blá.
eu, que ando às voltas na tumba com a minha orientação sexual e nem sequer sei para onde me virar e se me sinto bem com o que sinto, não só não tive qualquer problema em ir à marcha e ao arraial como penso que, para além do aspecto pessoal, estava a assumir e a cumprir para mim próprio e para os outros o apoio a uma causa libertadora e igualitária. uma causa que transcende os interesses dos que se vêm como LGBT. é uma causa de tod@s os que prezam a liberdade e a igualdade. e este é o mais básico dos pressupostos a levar-me a mim e a muitos amig@s a desfilar, a gritar, a distribuir panfletos, a dançar, a conversar, a beber, a viver um compromisso político, no sentido mais lato e mais nobre que esta palavra pode ter.
dito isto, tenho que reconhecer que vivo uma situação privilegiada: não tenho medo e não vejo razões de monta para pensar que deva ter medo de ser visto como homossexual por família e amigos. por vezes duvido mas sei que no fundo não há razões para ter medo. e, finalmente, o medo de LGBT (e simpatizantes!) se associarem às comemorações do dia do orgulho acaba por ser tão demonstrativo do apartheid social e mental que ainda se vive em portugal como o facto de aparentemente ninguém se ter lembrado que marchar lado a lado com centenas de LGBT não torna ninguém menos pessoa e mais paneleiro. o meu irmão foi e não é paneleiro. os meus amigos foram e não são, na maioria, fufas nem paneleiros. ninguém fica com um rótulo na testa por desfilar por direitos humanos. e que ficasse?
o medo é mesmo fodido.
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