será assim com os outros?
não pertenço a nenhum espaço. há imagens e sons e cheiros de tantas coisas. viver num sítio com estas pessoas é cada vez mais perder todos os outros. que os limites físicos não deixam tocar. mas estão cá dentro. como resolver o assédio permanente dos fantasmas bons? são bons, mas são fantasmas. não devemos acarinhar os nossos fantasmas, pois não?
venho do supermercado para casa e já estou na esquina da thirlstane com a marchmont a olhar para os prédios castanhos e o céu azul e a luz fria enquanto penso que aqui há tão mais passeio para viver que na pindérica calçada "à portuguesa".
desço a rua de bicicleta entre toneladas de automóveis e uma cidade hostil e já estou de pasteleira na karl marx strasse a cumprimentar o tio carlos enquanto penso que as lojas são exactamente como as conheci há vinte anos na mao tse tung.
passo por uma ribeira onde o cheiro anuncia a ausência dos milhões da cee e já estou a saltar por entre poças de água de fossa enquanto passa uma mamana com o filho enrolado às costas na capulana.
todos os dias voltam coisas lá de trás. alegram-me, confortam-me, mas arrancam sempre pedaços de agora.
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